19/07/2018

[Crítica] Jurassic World: Reino Ameaçado


Boa Noite!! Hoje temos mais uma incrível crítica do nosso colunista Arian 😃E para hoje ele escolheu falar do filme Jurassic World: Reino Ameaçado 🔬

Jurassic World: Reino Ameaçado…. Pois a vida sempre encontra uma maneira.
Quando criança eu queria ser paleontólogo. Viciado nos três filmes de Jurassic Park, apaixonado pelos répteis mais fascinantes que uma criança pode encontrar. Quando adulto, fiz uma disciplina de Paleontologia Geral na Universidade, descobri que dinossauros não são répteis, e que são apenas um ramo da fascinante evolução da vida, mas sem dúvidas o ramo mais cativante.

Há alguns meses li os livros de Michael Crichton que inspiraram os filmes da década de noventa e começo dos anos dois mil. Como de costume, o livro é mais intenso que a versão feita de roteiro, mas ainda que o primeiro filme, dirigido por Spielberg, tenha sido um espetáculo, uma revolução na sétima arte e um divisor de águas na divulgação pública sobre engenharia genética, é com Jurassic Worl: Reino Ameaçado que os dinossauros deixam de conquistar as crianças e divertir os adultos, para sufocar os adultos do começo ao final do filme, e as crianças numa lista de espera, pois não é um filme para pequenos.



No segundo filme da franquia, iniciada com “Jurassic World” em 2015, passam-se três anos, contextualizando a narração com os dias atuais. Para quem não viu o primeiro, que não passa de uma releitura moderna do filme de Spielberg de 1993, um bilionário reconstrói o parque dos dinossauros, e cria uma espécie nova, uma mistura poderosa e assassina que destrói o parque ao instalar o caos.

Três anos depois, os dinossauros andam livres pela ilha, cujo vulcão ativo entra em erupção, condenando-os à extinção (novamente após sessenta e cinco milhões de anos e uns quebrados). É com esse dilema moral que o filme começa, e começa -após uma cena de tirar o fôlego até dos nadadores olímpicos – com Doutor Ian Malcom, o mesmo dos primeiros vividos, interpretado pelo incrível Jeff Goldblum, dando-nos a sua visão, enquanto matemático e cientista natural, de que devemos deixar a natureza agir.

Na cena, em que aparece dando sua opinião ao congresso Norte Americano, Ian deixa, lá no fundo, uma pergunta que nem ele busca responder ao final do filme. Salvar ou não os dinossauros de uma nova extinção? Eles não deveriam existir mais, porém cá estão, e novamente o homem é o culpado desta existência, seria o homem responsável pelo destino deles?



Para Claire Dearing, vivida pela atriz Bryce Howard, desta vez sem saltos de adamatiun e com lábios visivelmente artificiais, sim, o homem é responsável pelos animais que criaram. Claire, que no filme anterior era a presidente do parque, lidera uma organização que tenta resgatá-los, e ao ser convidada por Elli Mills, um executivo que coordena a fortuna de Benjamim Lockwood – antigo amigo e sócio de John Hammond, a mente por trás do parque original – para resgatar algumas espécies do parque, vê sua chance de redimir-se por ter autorizado a criação da espécie que acabou com o parque anterior.

Porém Claire não pode fazer isso só, assim conta com a ajuda de Zia Rodrigues (Daniela Pineda) uma paleoveterinária; que sim, existe, de Franklin Webb (Justice Smith) que você pode chamar de o cara do computador, pois eu também não entendi o que ele fazia no filme além de ser um alívio cômico e suporte técnico. Contudo, a ajuda principal vem de Nick Owen, interpretado pelo, agora extremamente famoso Chris Pratt.


Owen é especialista em comportamento animal, treinador de Blue, a velocirraptor, que precisa ser retirada do parque, não por ser fofa, mas por ser essencial aos planos de Mill, que aliado a Henry Wu – sim o mesmo Wu do filme de 1993, também interpretado por B.D.Wong – buscam criar uma nova espécie, com o DNA misto entre o de Blue, o ser vivo mais inteligente depois da espécie humana, com o de Indominus-Rex, monstro que tentou ser aterrorizante no filme de 2015, mas falhou.

O parágrafo anterior contém o resumo da trama do filme, que não darei continuidade para não estragar a sua experiência com o filme, caso não tenha visto. Contudo afirme que Jurassic World: Reino ameaçado, não falhou, não falhou em roteiro, não falhou em tramas amarradas do começo ao fim, trama que tanto faltou nos filmes tão aclamados pelo público até este meio de ano. “Reino Ameaçado” traz plot twist, algo que ninguém espera dum filme de dinossauros, traz o gostinho de “quero mais”, dando corda para próximos filmes e traz uma tecnologia de impressionar, mostrando que despesas não foram gastas, desde o elenco, ambientação e, principalmente, efeitos especiais.

Contudo, o que “Reino Ameaçado” trouxe, e que eu, particularmente, não esperava, foi emoção. O filme baseado nos filmes de minha infância mexeu comigo dos trailers aos créditos, e não foi pelo saudosismo.


Vamos começar com a trilha sonora, que arrepia os pelos, fazendo a onda mecânica do som continuar a se propagar por longos minutos, mesmo no silêncio, pelos axônios de seu corpo, agora sim buscando o saudosismo, contudo as lágrimas não caem, pois sua respiração está presa, junto com você à poltrona do cinema e seus olhos fixos na tela, apreciando com uma parte do cérebro o trabalho de arte, de escolhas de tons e iluminação, e com a outra, acompanhando a cena, seja de ação, ou melancólica.

Em uma das cenas, quando o grupo deixa a ilha num navio, as lágrimas escorreram de meus olhos, o sentimento veio torrencial, ligado pela imagem na tela, pela cena que decorria. Nenhuma frase, nenhum som além do necessário, apenas uma cena, e eu não era o único a chorar no cinema.

A culpa é de Juan Antonio Bayona, diretor de “O orfanato” e “A rainha da Espanha”. Juan trouxe à Jurassic World: Reino Ameaçado o seu viés sinestésico, quase num simbolismo, que caiu perfeitamente ao que se propunha o filme. A sinestesia trouxe ao filme o que faltou em todos os outros. Dinossauros dão medo, são monstros, fazem crianças gritarem, adultos suarem frio, pois apenas o personagem de Owen é valente o bastante para encará-los como cães em busca de treinamento.

Bayona deu aos seres mais marcantes da vida de muitos, o que estes muitos esperaram tanto para serem marcados. Marcados pelo medo, não o medo jump scare barato de filmes de terror mal produzidos que apelam a analogias entre o sacro e o profano. Mas o medo psicológico, o medo que vem das sombras, de um raptor iluminado por um raio, atrás de uma cortina, do balançar de uma cauda no momento exato, ou do completo silêncio que sucede o rugido do T-Rex. Enquanto Universal não poupou despesas, Bayona e seus produtores não pouparam empenho.



Um filme que remete à memória, que mescla clássicos como King Kong e outros, com assuntos cada vez mais atuais, como reprodução genética ou mesmo adoção. Um filme não para quem gosta de dinossauros, ou para quem curte aventuras, mas um filme para quem gosta de sentir, para quem se permite o constante evoluir de sensações. Pois ainda que o filme demore para engatar, é impossível pisar no freio, e com despesas não poupadas, percebe-se o pedágio pago adiantado. Resta aguardar a possibilidade de novos filmes, e que sejam tão bons quanto “Reino Ameaçado”.

Nessa quarto de século entre o primeiro filme e o de agora, a tecnologia avançou tanto, os valores éticos e os empecilhos morais ganharam novos caminhos, mas o viés de Jurassic World: Reino ameaçado, não poderia ser mais atual: A vida encanta, a vida fascina e evolui, constantemente. Mas jamais podemos nos esquecer que a vida reina, a evolução sempre vence. Ela ocorria antes de nós, e continuará depois, e caso não prestemos atenção no hoje, não estaremos aqui para acompanhar o futuro próximo da evolução.

Jurassic World: Reino Ameaçado é como a vida, demora para engatar, possui alguns aspectos, personagens e porquês irrelevantes, mas que ali estão, não tirando o prospecto geral. De uma coisa eu tenho certeza, se minha vida fosse tão boa quanto “Reino Ameaçado”, valeria cada dia levantado. Um filme que cumpre seu papel, um papel que tantos aguardavam, e agora usam para enxugar as lágrimas, mistas entre felicidade e comoção.

Para fechar, uma frase do primeiro filme, de 1993, para convidá-los a assistir o novo, separados por vinte e cinco anos.

Dinossauros e homens, duas espécies separadas por sessenta e cinco milhões de anos de evolução, foram repentinamente colocadas juntas e misturadas. Como nós podemos ter a mais vaga ideia do que esperar?” Alan Grant.


8 comentários:

  1. Estou doida para ver esse filme,mas ainda não tive oportunidade..
    Gosto bastante de tudo que envolva dinossauros,acho bastante interessante..
    Gostei bastante da sua resenha,fiquei mais ansiosa para assistir
    Beijos

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  2. Eu acompanhei os filmes quando criança e cheguei acompanhar essa nova franquia quando estreou o primeiro filme, mas ainda não tive chance de me jogar nesse. Amo o autor da história *_* e adorei o elenco

    Sai da Minha Lente

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  3. Olá Arian, tudo bem? Olha, eu sou suspeita para falar sobre filmes com "dinos" sou apaixonada por eles desde crianças e gostaria muito de ter a oportunidade de assistir esse filme no cinema, infelizmente na minha cidade não tem. Amei ler a sua resenha e estou empolgada para saber como serão as continuações.

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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  4. Olá, tudo bem? Nunca assisti à esses filmes, porém tenho bastante curiosidade. Adorei saber tua opinião e fiquei feliz por saber que o filme cumpre o prometido. Achei a frase final incrível, só me deixou ainda mais interessada na obra.

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  5. Oi, tudo bem? Eu vi o anterior a esse e lembro que gostei, mas não gostei HAHA. Mas fiquei bem interessa em assistir este. Imagino mesmo que seja bem nostálgico. Quando criança eu também gostava de dinossauros, mas não era fã dessa franquia. Com o tempo, fui gostando e até assisto, mas não sei se pagaria um cinema. Acho que ficaria no meu sofá mesmo haha. Gostei muito da sua resenha, ainda não tinha lido nenhuma. Gostei que você se aprofundou nos seus sentimentos :)

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  6. Oi Arian, tudo bem?
    Eu adoro dinossauros, risos... Sou fascinada por eles, por isso fico louca quando lançam um filme dessa franquia espero ansiosamente.Por isso é claro que também já assisti. O primeiro ainda é o meu favorito, mas gostei desse também. Que é fã não pode perder. Sua crítica ficou ótima.
    beijinhos,
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

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  7. Apesar de ter gostado do filme e de gostar muito da franquia, nao gostei muito do final. Não vou entrar em detalhes para não dar spoiler, mas soltar os dinossauros daquela forma foi mais do que temerário.
    Bjs Rose

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  8. Oiii Arian

    Eu também queria ser paleontóloga quando criança, inspirada por esses filmes, nem me lembro quantas vezes cheguei a rever o primeiro filme, com o Sam Neil e Laura Dern.
    Esse novo ainda não consegui conferir, mas pinta uma curiosidade enorme, e aquela nostalgia gostosa que coisas boas deixam.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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