10/06/2018

[Crítica] Suits - O Desmond Merrion da atuação


Boa Noite!! Hoje na primeira postagem do m~es no blog nada melhor do que uma critica incrivel do nosso colunista Arian, que teve seu segundo livro lançado nesse fim de semana 😉

Suits - O Desmond Merrion da Atuação
Você provavelmente já ouviu falar na série norte americana “Suits”, título traduzido ao português como “Homens de terno”. Provavelmente ouviu falar nessas últimas semanas que precederam o casamento do príncipe Harry, sexto na linha de sucessão à coroa Britânica, com Rachel Meghan Markle, a nova duquesa de Sussex. E se só ouviu falar da série e ainda não foi conferir depois dessa mega divulgação gratuita que a coroa inglesa fez da série, ainda que involuntariamente, está na hora de conferir. Mas para isso vista sua melhor roupa, pois a série é deslumbrante.



Para assistir a série eu escolhi um Desmond Merrion (meramente em minha imaginação já que não tenho dinheiro para bancar um). A alfaiataria tradicional de Londres, que produz ternos inteiramente feitos à mão, uma máquina de costura nunca passa perto do tecido, fazendo o preço final girar em torno dos 50 mil dólares. Não, você não leu errado e eu não digitei um zero a mais.

“Suits” é exatamente como um Desmond Merrion: elegante, fino, impressiona se olharmos de perto, mas é extremamente despretensioso e nem um pouco extravagante.

A série gira em torno dos conflitos diários de advogados de um grande e respeitado escritório, daqueles com nome na parede de mármore. O nome do escritório muda muito no decorrer da série, mas um permanece na sua memória desde o começo. Specter, Harvey Specter é o advogado promovido a sócio sênior no começo da série, que precisa de um assistente, e por isso, com contragosto, monta a procura.


Harvey Specter encontra em Mike Ross, um garoto que foi expulso da universidade e mora com avó, o parceiro ideal após ser impressionado pelo rapaz em suas habilidades de advogado. Mas como se ele não é um advogado formado? Exatamente essa é a premissa inicial da série. Mike Ross tem memória eidética (ou fotográfica), e a ousadia de Specter, o melhor advogado contratual/empresarial de Nova Iorque – segundo ele mesmo e segundo a sua opinião quando começar a assistir.

Sem muitos spoilers, o drama consiste na adaptação do gênio Ross a nova vida arriscada em que entrou com Specter, que precisa manter o segredo de todos, contando com o apoio de sua fiel secretária e super magnifica Donna Paulsen. A dupla leva você, espectador, aos ápices do diálogo jurídico e de ameaças veladas que emocionam e trazem adrenalina sem que um avião precise cair e o Tom Cruise saia correndo, digo, de paraquedas, dele.



À trama somam-se o passado de Mike, e seu vício em maconha, amigos sem futuro e problemas pessoais e amorosos; bem como os companheiros de Specter: Jessica Pearson a então sócia administradora e Louis Litt, a figura mais contraditória, passional, muitas vezes mesquinha e extremamente leal que você encontrará na série.

A narrativa segue um padrão muito agradável, exatamente como o algodão mesclado com linho do Desmond Merrion completo que vestimos no começo. Uma narrativa que não arranha, não tem falhas, segue com o mesmo fôlego do começo ao final de cada temporada. Em “Suits” não vemos costuras forçadas, ou feitas numa máquina como se o alfaiate tentasse agilizar o serviço.

A primeira parte que você veste ao colocar o terno é a camiseta branca neutra que fica por baixo da camisa. Essa eu não tenho certeza se o Desmond Merrion faz à mão, mas se não fizer serve qualquer uma, afinal ninguém vai vê-la, mas todos sabem que ela está lá. A camiseta branca em “Suits” é o passado de cada personagem, que não precisa ser mostrado repetitivamente em cada episódio, ainda que alguns episódios tragam o passado num tom mais desbotado facilmente identificado como à parte da narração contínua do presente. A camiseta branca, o passado de cada personagem, é muito bem expressado pela ação dos mesmos, pelas frases muito bem casadas com a personalidade de cada personagem, e especialmente os diálogos com marcações próprias.

Louis Litt, um homem perspicaz que sempre sonhou em ser advogado tem uma maneira formal, mesclada com a informalidade e seu caráter irascível e levemente invejoso ante Harvey Specter, tem uma maneira de falar acelerada e com muitos rodeios. Já Harvey Specter, tem sua fala dominante, direta e concisa, sempre se mantendo acima dos demais. E Mike, com seu amor pelo que é certo e desejo de ajudar o mundo, tem seu discurso quase ingênuo evoluído no decorrer das temporadas.

Depois da camiseta branca, vem a camisa. Uma camisa completamente branca, de botões em um tom de cinza de madrepérola tão macia e sinestésica ao olhar quanto o efeito da luz sol matinal entrando pela janela sobre a camisa. A camisa, preferencialmente feita de mais linho do que algodão, são os casos jurídicos. Sem eles não tem porquê a série, são apresentados no começo, continuam até o final de cada episódio, embasam as ações das personagens, mas estão ali para que as demais partes do terno fiquem em evidência.


O criador da série (Aaron Korsh), juntamente com os produtores Gene Klein, Gabriel Macht e Patrick J. Adams, os dois últimos nomes interpretam respectivamente Harvey Specter e Mike Ross, conseguem a cada episódio trazer bons casos, casos que prendem especialmente quem não tem nenhuma relação com direito, e provavelmente são verossímeis com o direito estado-unidense, provavelmente pois eu não sou advogado, e me contento em aceitar que seja verdade e me deliciar com o desenrolar.

Os casos são recorrentes, as empresas representadas pelo escritório aparecem em cada temporada, o enjambement entre os casos passados e os contínuos é preciso, e você não precisa ter a memória de Mike Ross para perceber isso, pois assim como a camisa que massageia sua pele durante o dia, os casos e conflitos judiciais marcam sua memória.

Depois da camisa você coloca as calças, que são feitas sob medida para você, então nada de cinto, apenas o total conforto de calças macias e bem acabadas em suas pernas. São as calças que dão a continuidade do terno, que mantêm o olhar de quem observa fisgado pelo trabalho do alfaiate. As calças de “Suits” são as relações amorosas entre as personagens. A principal é o perene conflito romântico entre Rachel Zane (interpretada pela agora Duquesa de Sussex Meghan Markle) e Mike Ross. Assistente jurídica e advogado associado novato vivem um contínuo interesse que mantém seguindo a série além dos casos. 

Temos também Donna Paulsen, vivida por Sarah Rafferty, uma intensa e extremamente boa em instintos e conselhos, secretária. Há anos trabalhando com Harvey Specter. Aos poucos vamos descobrindo o passado romântico entre ambos, querendo que haja flerte entre eles. Donna é simplesmente sensacional, respeitada e querida, fazendo de sua relação com Specter um dos baluartes à continuidade dos episódios.

Calças colocadas, é hora de colocar o colete. Sim, um Desmond Merrion vem com colete, três botões, tecido unicamente em lã fina, que de longe parece algodão, exatamente como os conflitos internos entre as personagens e seus antagonistas. Personagens do passado de Pearson, de Specter. Desde Daniel Hardman, um dos sócios do escritório, com falcatruas inconvenientes, até bilionários que se antagonizam a Specter, envoltos em crimes muito piores do que sonegação de impostos. 

Assim como o colete, nem sempre são usados, ou aparecem, mas fazem toda a diferença sensitiva quando se mostram. Dão mais emoção, mais aventura, um ar de sobriedade que a série consegue manter com tais interações.

Por fim, vem o magnífico paletó. Escuro, de um cinza mesclado com preto carvão, como o restante do terno, exceto pela camisa branca. O paletó de “Suits” é a atuação, pois assim como num terno é a parte que mais se destaca, na série é a atuação que toma a cena.

Numa série de advogados, cuja trama evolui continuamente e é autoconstrutivista, ganhando novas partes e novas ramificações a cada episódio, novo elenco e premissa a cada temporada, é a atuação que mantém a série nova a cada capítulo, há sete temporadas.


Atores que vibram com as falas, incorporam os diálogos, as feições de cansaço, de apreensão e alegria de forma tão natural e praticamente sob medida aos atores, são o coração da série. Os diálogos, as interjeições, fazem você ficar preso à tela mesmo que não esteja entendo absolutamente nada do que eles estão tratando nos momentos mais específicos. Você vibra quando Litt ameaça processar alguém, quando Harvey mostra seu sorriso irônico e debochado, com o pensamento sempre à frente de Donna, com o charme sedutor das falas e da habilidade de Rachel em superar-se a cada dia, bem como a habilidade de Mike guardar seu segredo e simultaneamente viver com a angústia estampada em sua face de precisar isso fazer. 

O paletó, a parte final e máxima do terno é a atuação numa série que presa pelo drama, numa série que há sete temporadas mantém o mesmo padrão de qualidade, tal qual Desmond Merrion.

O final são os sapatos, e quem veste Desmond Merrion não sairá de casa sem estar calçando no mínimo um par de Oxford da Ferragamo, ou com botas da Prada. Contudo, você pode permanecer descalço, afinal ninguém precisa de um Oxford para ficar sentado no sofá, que será exatamente sua programação quando der play em “Suits”, que por sinal está disponível com todas as temporadas na Netflix. E aí? Já vestiu o terno?

15 comentários:

  1. Eu adorei a maneira que você construiu a resenha, é diferente de tudo que já li e serviu pra me deixar ainda mais animada para ver a série. Suits é uma série que quero ver tem um bom tempo.

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  2. Oii tudo bem ?
    Ainda não conhecia a serie confesso q pra serie sou uma negação kkk mais fiquei bem curiosa com a trama irei da uma olha em prevê. Obrigado pela dica 😊

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  3. Oi Jéssica, eu até queria assistir esta série, mas tenho tantas na minha lista que talvez lá por 2025 eu consiga, haha. Gostei da maneira como tu a descreveu, até me deu vontade de passar ela na frente de algumas.
    Bjos
    Vivi
    http://duaslivreiras.blogspot.com/

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  4. Olá! Isso que eu chamo de contextualizar uma explicação de série! Já ouvi falar dessa série, mas como eu não sou muito de séries policiais e/ou derivados, mas também não tinha muita ideia do enredo. Não acho que eu vá curtir, mas minha mãe vai amar, então passarei a dica à ela.
    Abraços

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  5. Oiiii

    Eu tenho curiosidade em conferir a série, acho interessante, o que falta é tempo pra conferir tanta coisa legal. A resenha ficou ótima.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Olá
    Já ouvi falar dessa série antes do auê do casament real,mas na época não tive o interesse em ver, acho que o motivo foi ter ajudado um amigo a fazer a prova da ordem e fiquei cansada desse undo jurídico. E agora que ela está nos olhos do mundo, ainda não mudei de ideia, quem saabe maais pra frente.
    Gostei muito da forma em que você descreveu a série, usando como referencia o terno. Vou indicar para alguns amigos e quem sabe me animo a assistir com eles.
    Bjus

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  7. Olá!
    Eu amo Suits e toda ambientação, os casos e personagens são incríveis. Até as maiores loucuras de Louis Litt são ótimas de acompanhar.
    Adorei sua resenha e está muito convidativa para os fãs de seriados a conhecerem.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  8. Adorei a sua análise a apresentação sobre a série.
    Cheguei a iniciar, mas acabei abandonando para colocar outras em dia. Mas quero retomar em breve <3

    Beijos
    Sai da Minha Lente

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  9. Olá, ficou ótimo o seu post sobre a série. Eu ouvi mesmo falar sobre ela por causa do casamento da atriz, mas não sabia do que se tratava, pelo post já achei a trama interessante e fiquei sim querendo assistir.

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  10. Tanto minha irmã quanto meu recém-ex são loucos pela série - meu ex, aliás, vivia dizendo que eu iria adorar por ser formada em Direito. Está na minha lista do Netflix, mas ainda não comecei a assistir. Tenho que tomar vergonha na cara - a verdade é que sempre acabo deixando para ver as séries depois... E o depois nunca vem!

    Beijos,
    www.degradeinvisivel.com.br

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  11. Sinceramente, eu não conhecia essa série ainda! Eu até já sabia que a Meghan trabalhava como atriz em uma série, mas não me interessei em ir pesquisar sobre. Enfim, gostei da dica e vou dar uma olhadinha para ver se gosto.

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  12. Suits é uma das minhas séries queridinhas. Assisto desde a estréia. Minha personagem preferida é a Donna. Muita gente só passou a conhecer a série depois que Meghan Markle virou Duquesa.
    Bom, estou ansiosa para o incio da nava temporada. Acho que Mike e Rachel vão fazer falta. Mas também quero ver como Katherine Heigl vai se sair.

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  13. Oi, tudo bem?
    Acho que, após o casamento do príncipe Harry, é impossível que alguém não tenha ouvido falar sobre essa série né? Confesso que já conhecia desde que a série foi lançada, mas o enredo não despertou minha curiosidade e eu nunca tive muito interesse em assistir. Tanto que nunca tinha ouvido falar de Meghan Markle antes dela começar a namorar o príncipe.
    No entanto, apesar de todo o alvoroço em torno da série, continuo sem pretensão de assistir. Não sou fã de séries e o enredo dessa não é o estilo que me atraia. Para completar, não aguento mais nem ver a cara da Meghan, de tão cansativa que foi toda essa exposição.
    Portanto, vou passar a dica desta vez. No entanto, preciso dizer que a sua foi uma das críticas mais criativas e interessantes que já li. Além de muito completa, ficou muito legal de ler. Parabéns!
    Beijos!

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  14. Oiii!
    Achei sensacional sua crítica e forma que desenvolveu! Me deixou muito interessada em assistir. Obviamente por conta do casamento eu acabei ouvindo sobre ela, mas não tinha realmente me interessado.
    Vou dar uma chance e assistir os primeiros episódios, vamos ver se ela me prende.
    beijos

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  15. Olá! Juro que ainda não tinha visto essa série mas assistiria simplesmente pela sua critica ter sido maravilhosa de ler haha

    Amei cada analogia que você vez do terno com a série e sua narrativa ficou ótima de ler! Dica anotada!

    Beijos

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