27/05/2018

[Resenha] Anhangá - A fúria do demônio - J.P.Modesto


Bom Dia!!! Hoje temos uma resenha feita pelo nosso colunista Arian sobre o livro Anhangá - A fúria do demônio do nosso autor parceiro J.P.Modesto, então se você curte um bom livro de terro não deixe de lê-la abaixo.

Dados do Livros
Titulo:  Anhangá - A fúria do demônio
Autor(a): J.P.Modesto
Quantidade de Páginas: 246
Giz Editorial
Gênero: Literatura Nacional / Terror / Suspense
Ano: 2008
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Sinopse: 
300 anos antes do descobrimento, um naufrágio no litoral brasileiro traz para o mundo ainda não explorado um demônio que logo será conhecido pelos nativos como Anhangá. Um feiticeiro mouro, único sobrevivente da tripulação da nau que trouxe o demônio aprisionado, um poderoso pajé e guerreiros de tribos rivais formam uma aliança para derrotar a criatura, sabendo que a morte os aguarda!


“Anhangá - A fúria do demônio”: A sinestésica harmonia entre o suspense e a diversão.

Minha experiência começou de forma agradável. O autor trouxe o exemplar pessoalmente até minha casa (tudo bem que para isso os Correios precisaram fazer confusão), e já comecei a ler no mesmo dia. Num dia como o narrado no começo, quente e úmido, mas sem a tranquilidade de uma São Paulo em seu começo.

É assim que a narrativa começa, com um novelo desenrolado da lã do suspense, deixando uma ponta de curiosidade, que só será costurada no final. Se as primeiras páginas se passam no começo de São Paulo, com os padres catequizando e aprendendo com índios, o restante da obra se passa três séculos antes da missão de Cabral desembarcar em terras brasileiras. À primeira vista é uma proposta ousada, criar um livro protagonizados por índios muito tempo antes da colonização europeia desejou, certamente, horas e horas de pesquisa. Contudo, a ousadia deu resultado. O resultado é uma obra completa, um romance fluído, ainda que pesado, bem estruturado e que lhe convida a viajar por cada parágrafo.

J.P.Modesto convida o leitor a embarcar na imaginação e na nau de um cavaleiro templário, um padre e um feiticeiro mouro, em pleno o século doze, e acompanharem a aproximação desta nau à terra dita como fim do mundo, onde largariam um demônio elemental que domina a água. Sim, o demônio se solta, e para o delírio dos amantes de terror, temos cenas fascinantes e explícitas, bem como é explícita a intenção de Modesto de criar uma obra onde o clássico herói europeu herdado pelo romantismo não tem vez, mas sim faz a vez do encontro de culturas, encontro de sentidos.

O poderoso demônio embarca em sua jornada mata adentro, desbravando os mistérios daquele novo mundo, no qual os povos já possuem um nome para ele. Anhangá, e é de Anhangá que se aproveita a criatura, vendo-se, num primeiro instante, livre de oponentes páreos para si. Essa é, ou ao menos me pareceu ser a premissa da narrativa, índios tecnologicamente inferiores ao velho mundo que conseguira aprisionar a criatura anteriormente, precisarão se unir com um forasteiro mouro, sábio e desconfiado, para impedir que o demônio elemental tenha sucesso.

Tupiniquins e Tupinambás, tribos rivais, com culturas fascinantes que certamente renderiam um livro próprio, estão do mesmo lado da moeda, ameaçados pelo demônio que acreditam ser Anhangá, exceto por um dos protagonistas e pajé, que vem como um guia, tanto ao mouro feiticeiro de uma forma magnífica que eu ansiava para ver em alguma obra, quanto ao leitor. É na figura do pajé, no encontro entre feiticeiro vindo de além-mar e do índio respeitado e ancião, que Modesto coloca um porém pouco explorado em livros do mesmo gênero.

O choque cultural, o aprendizado constante, e a diferença das línguas acompanha quem lê por toda a narrativa, fazendo que à partir do ponto de vista da personagem, mesmo que a obra seja narrada em terceira pessoa, o leitor reconheça o ambiente de uma forma diferente, reconheça as demais personagens que se interage antes mesmo de serem nomeadas. Nasce aí a sinestesia. Modesto consegue colocar em paralelo personagens esféricas e uma descrição e ambientação digna de thrillers, pouco vista em livros de terror. Ou seja, o terror não vem numa forma fraca de susto, mas sim numa forma contínua de apreensão e manipulação psicológica, como o silêncio sepulcral que antecede a aparição do tubarão no filme homônimo, após todo o filme ter colocado música de suspense quando nada acontecia. Em Anhangá é quase isso o que vemos, com mais refino e todo o trabalho da escrita, somos presos numa rede de angústia, e contínuos sustos, como se estivéssemos na pele da personagem, do guerreiro poderoso Tupinambá, nos vendo indefesos e envergonhados por isso.

Anhangá – A fúria do demônio é uma obra genuinamente brasileira, com personagens cativantes e bem construídos, numa missão bem conhecida e direta, sem enrolações pelo caminho. Numa tarde lânguida, pegue o livro, permita-se navegar e viajar junto com nossos heróis, unindo inimigos contra um mal comum, numa analogia profunda balanceada com terror e suspense, criando um romance decidido, que levará você leitor a questionar-se qual seu papel nesses dias cinzentos e multiculturais que compõe nosso calendário brasileiro. E o mais importante: quem é o demônio?

7 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Que chique receber o seu exemplar das mãos do autor! Eu amo livros de terror, suspense, etc; e esse ano tenho conhecido várias autores nacionais do gênero, fico feliz de conhecer mais essa obra que parece ser muito interessante.

    Outra coisa que me chamou a atenção nesse livro é falar sobre os cavaleiros templários, tenho uma fascinação por eles e já li alguns livros de história sobre essa ordem! Parabéns pela resenha, já estou procurando para comprar o meu exemplar.

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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  2. Oi, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro e nem o autor, mas achei muito atencioso ele te entregar um exemplar em mãos.
    Achei a premissa muito original e bem interessante a forma como ele aborda o choque de culturas. Confesso que só não leria, porque é algo que foge totalmente do meu estilo, especialmente porque eu não leio terror de jeito nenhum. Mesmo que esse seja algo mais psicológico, acho que não é para mim mesmo.
    De qualquer forma, parece ser um livro muito bem escrito e que toda a trama e os personagens foram bem desenvolvidos pelo autor. Vou passar a dica desta vez, mas adorei ler sua resenha e tenho certeza que, para quem gosta do gênero, é uma ótima opção de leitura.
    Beijos!

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  3. Receber o exemplar da mão do autor ... achei chique hahahaha <3
    Não conhecia o livro e nem o autor, mas achei interessante os elementos da história. Eu amo suspense e por isso me interessei pela leitura.

    Sai da Minha Lente

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  4. Olá!
    Essa história deve ser incrível. Sou uma apreciadora de leituras com suspense e o autor parece ter superado as expectativas. Não conhecia ainda essa leitura e gostei bastante do desenrolar da trama.
    Vou anotar a dica pra conhecer em breve.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  5. Eu não conhecia a obra ou o autor ainda, mas depois dessa resenha fiquei pensando, como???!! Sério, nunca li um livro com essa temática, e achei o máximo ter tanta cultura inserida assim na história. Fiquei louca para conferir! ♥
    beijos

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  6. Oiê!
    Não conhecia o livro, mas a história com certeza vai nos ensinar bastante sobre esse universo indigina! Nunca li nenhum nacional com essa pegada, que bom que a leitura se tornou prazerosa. Sucesso para o autor.
    Beijos, parabéns pela resenha!

    Eli - leitura entre amigas

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  7. Olá!!

    Não conhecia o livro, nem o autor, mas achei a proposta do livro bem interessante por ser nacional de raiz rs. O gênero que não é dos meus preferidos, mesmo assim fiquei bem interessada. Obrigada pela dica.

    Beijos

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