09/02/2018

[Critica] Dan Brown


Boa Noite!! Tenho certeza que você já ouviu falar do autor Dan Brown, mas já pensou porque ele consegue vender tantos livros pelo mundo a fora? Na postagem de hoje nosso colunista Arian resolveu dissertar sobre essa questão.  
Por que os livros do Dan Brown vendem tanto, mesmo sendo tão similares uns com os outros?
Um elegante homem, na faixa dos quarenta anos, aguarda as próximas palavras do representante do governo. Este elegante homem tem cerca de um metro e oitenta, e um físico excelente para alguém de sua idade, devido à prática de esportes. Porém não é seu físico que mais impressiona, nem o que o levaram até ali, mas sim sua inteligência, seu campo de estudo no qual é autoridade, um campo de estudo incomum, cativante e repleto de interpretações.

Este elegante homem deverá, ao longo de alguns dias, viajar muito, fugir e perseguir enigmas e desafios que apenas ele pode desvendar, com a ajuda de uma estonteantemente bela mulher alguns anos mais nova, que atua numa área totalmente diferente da dele, para impedir que uma poderosa organização cumpra seu plano maquiavélico. Este quarentão precisa fugir, ao longo do livro, de um contratado para cumprir o plano da organização, precisa reviver seus dramas e medos da infância, enquanto corre contra o tempo, desvendando o passado, os enigmas artísticos e científicos, códigos e palavras que mudam o destino da humanidade, desmantelando conspirações políticas.

Se você pensou no Robert Langdon, tudo bem, também serve a indumentária, mas eu tinha em mente a figura de David Becker, etimologista enviado à Espanha para pegar os pertences de um programador frustrado com a NSA, que coloca o governo norte americano em risco. Se você não leu "Fortaleza digital", tudo bem, leia quando puder, é tão divertido quanto "Código Da Vinci", no qual a descendente de Jesus Cristo, Sophie Neveu é substituída por Susan Fletcher, uma analista sênior da NSA.

Tenho certeza que fiz um eufemismo com a minha hipótese, você realmente pensou no Langdon, mas poderia também ter pensado no Michael Tolland, oceanógrafo e apresentador de televisão, que contracena com Rachel Sexton, desvendando os segredos por trás de um meteorito caído no Ártico, que "contém" vida extra-terrestre. Ponto de Impacto também é fascinante, te prende do começo ao fim, como os demais de Dan Brown, e o que mais me agradou, dentre todos os seus romances.

Mas é Robert Langdon, especialista em Semiótica da universidade de Havard que alavancou a carreira do escritor, filho de matemático e musicista. Dan Brown é sinônimo de sucesso, com mais de duzentas milhões de cópias vendidas levando seu nome na capa, e três adaptações de Hollywood de seus livros mais vendidos. Numa rápida comparação pode-se citar a primeira tiragem brasileira da nova obra do romancista estado-unidense, "Origem" , que contou com meio milhão de exemplares, enquanto um autor brasileiro novo é lançado, pelas editoras daqui, com uma média de setecentos exemplares. Por que raios Dan Brown vende tanto?

Vamos deixar guardado o lado técnico por enquanto, focando apenas na estrutura narrativa. Dan Brown inicia seus thrillers de uma forma comum, sem nenhuma inovação, na forma clássica de apresentar num prólogo o acontecimento que engatilha a trama, em poucos parágrafos está construído o início da trama, a apresentação do viés, que será retomado lá pelo capítulo quinto ou sexto, depois que conhecemos as personagens nos anteriores. 

São exatamente as personagens que tornam seus romances tão instigantes, porque apelam ao mais fino traço da ficção: a inveja. Em algum momento você já quis ser Robert Langdon, ou os políticos influentes conspiradores, mergulhar nos enigmas deixados por Bertrand Zorbrist ligados ao Inferno Dantesco, ou perder o fôlego junto com Langdon e o guarda suíço na biblioteca do Vaticano. 

As personagens são bem estruturadas, quando melhor convém à criação do mistério, como revelar uma foto de família no carro do motorista de Uber ameaçado, como ocorre no mais novo "Origem", no qual, novamente, Langdon deverá correr contra o tempo para impedir que o plano maior da vida de seu aluno e bilionário seja esquecido, enquanto foge de um almirante aposentado. Personagens adultos, em situações maduras, vendem livros para adultos.

Exatamente pela maturidade do enredo de Dan Brown é que seus livros são menos vendidos do a sequência de Harry Potter, pois crianças não leem Anjos e Demônios, crianças mal leem os –muito mais bem escritos  do que Harry Potter– livros de Robert Galbraith, pseudônimo de J.K Rowling, e é exatamente pela maturidade que Dan Brown continua vendendo. Há duas décadas escreve como adulto, para adultos, sem tirar nem pôr uma vírgula de novidade técnica.

Sim, Dan Brown evoluiu ao longo do tempo, todo e qualquer escritor evolui. O prólogo de seu primeiro livro, "Fortaleza Digital", é uma leitura arrastada, repleta de detalhes que ninguém jamais lembrará. Em "O Símbolo perdido" Dan Brown parece se conter nas discrições, e mesmo gastando parágrafos para descrever um jato que não retornará às histórias, começa a lidar muito bem com o balanceamento narração X descrição, entretanto é em "Origem" que ele parece ter atingido o ápice e ultrapassado o balanceamento misturando ambos, da forma arriscada que poucos conseguem, mas que é maravilhosa de se ler.

Mesmo evoluindo, Dan Brown não inovou, o narrador onisciente continua presente, aquele que sabe de tudo, e não se foca muito no ponto de vista da personagem dominante no capítulo, não trouxe uma quebra de estereótipo às companhias de Langdon, e aparentemente não é adepto de que ricos usem outro calçado que não Salvatore Ferragamo. Dan Brown não inovou, e ninguém se importa, ninguém quer que ele inove na literatura, ninguém compra um livro com uma resma na seção de suspense internacional esperando ler algo tecnicamente comparado a Ariano Suassuna ou Thomas Mann, aliás poucos procuram pelos dois nomes, poucos funcionários de livrarias conhecem, mas experimente perguntar sobre Dan Brown.

Dan Brown vende pela similaridade, fazendo seus leitores aguardarem, ansiosamente, o próximo livro, fazendo os críticos especializados aceitarem que à proposta de suas obras, são muito bem encaixadas. Um drama narrado em primeira pessoa assinado por Dan Brown venderia menos, provavelmente seria o único do gênero, para que o escritor de olhos alegres e rosto redondo voltasse a escrever personagens com personalidade e imediatismos, voltasse a escrever um especialista numa área obscura do conhecimento e das ciências, acompanhado de uma jovem mulher intrigante, com segredos e que o levasse a fugir de órgãos e pessoas tão poderosas quanto as que tal especialista pode derrubar. Este sim, venderia muito, este sim vende, e vende há duas décadas.

Dan Brown conquistou seu público tão rapidamente quanto conquista novos leitores do grupo alvo a cada novo livro, os fazendo esperar por algo melhor do que o anterior, algo sempre mais instigante, a cada novo livro uma aventura mais insana, com gente mais poderosa envolvida - começamos com NSA em "Fortaleza Digital", terminamos com a família real espanhola em "Origem".  Quem compra e lê Dan Bown não quer que ele inove, pelo contrário, quanto mais tangível, quanto mais acessível e público forem os desafios superados em seus livros, mais livros venderá. 

Enquanto J.K Rowling apela ao lúdico, ao infantil com ação simples arrastada pelo crescimento emocional de suas personagens, imaginação fértil, e uma miríade de personagens que só crianças têm a capacidade de decorar, Dan Brown trás o conflito marcante e rápido, de especialistas e autoridades que adultos tanto invejam.

Enquanto Stephen King traz à tona cada sensação esquecida sua com palavras duras colocadas estrategicamente no meio de um parágrafo à primeira vista ingênuo, Dan Brown deixa explícito na contracapa que o livro trará conspirações, fazendo você desejar segundos de calma, o exato oposto ao magnânimo Stephen King. Enquanto Paulo Coelho, com seu apelo exotérico tão chamativo, poderia ter aberto uma igreja (mas graças à sua bondade preferiu enriquecer com livros), Dan Brown poderia ter aberto um país, afinal sua fórmula de escrever best-sellers parece a mesma que faz a Suíça famosa: habitadas por adultos que aproveitam emoções rápidas, são sérios e sabem como ninguém guardar segredos.

5 comentários:

  1. O Dan Brown é igual qualquer autor. Tem que evoluir. Ele começa publicando, não vende muito, até que um dois livros faz sucesso e os antigos começam a vender.

    Para Dan, Código da Vinci foi o diferencial. Apesar de uma "continuação", foi o livro que o lançou mundialmente (o primeiro filme, apesar da cronologia).

    Sou fã do Dan, mas acho que ele já se tornou repetitivo.

    Robert Langdon já deu!

    Fortelza digital é muito bom, mas falta um "q" a mais.

    Ponto de Impacto ainda não terminei, pois o autor perde muito tempo e deixa a narrativa lenta.

    Anjos e Demônios é o meu favorito. Tenho a edição ilustrada.

    O Código tb é muito bom, foi o primeiro que li dele, em virtude da repercussão.

    Dá pra frente, foi repetindo a mesma fórmula.

    Acho que Dan tem que se renovar, mudar os ares.

    ResponderExcluir
  2. Olá Jéssica, tudo bem?
    Confesso que sou apaixonada pelos livros do Dan Brown, tenho e já li todos os livros, são uma joia rara para mim. Como você disse eles são similares, mas a emoção que eu sinto ao lê-los é muito grande, acredito que seja algo na escrita do autor, como tenho uma imaginação muito fértil consigo visualizar as cenas inteiras através da escrita dele, coisa que não acontece com vários outros livros que tenho lido.
    Só comecei a conhecer autores nacionais contemporâneos depois que criei um blog literário, antes ouvia falar muito pouco sobre eles, sempre achei o preço dos livros de alguns autores nacionais "desconhecidos" muito alto e pensava: prefiro comprar um livro estrangeiro que eu conheço o autor, do que um livro nacional de um autor que eu não conheço, e sei que algumas pessoas pensam como eu. Hoje eu sei a importância da divulgação dos livros nacionais.
    Gostei muito de ler a sua crítica sobre o autor, apresentando os pontos bons e ruins das obras.

    Beijos e Abraços
    http://vickyalmeida.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  3. Nossa, amei sua crítica, agora tenho uma perspetiva bem mais sólida para com a escrita do Dan.. 😍 seu texto ficou incrível, as comparações que você fez de aspectos da escrita de outros autores ficou muito interessante, sério, obrigada por essa crítica haha

    Beijos,
    Conta-se um Livro

    ResponderExcluir
  4. Muito boa a sua crítica, já li alguns livros dele e estou esperando a minha irmã terminar de ler A ORIGEM para lê-lo. Estou entre os fãs da escrita do autor e a cada nova obra fico maravilhada com a trama desenvolvida apesar da similaridade com a anterior.

    Bjs
    Cidália (Contos da Cabana)

    ResponderExcluir
  5. Oie
    Do Dan Brown, só li O código da Vinci e realmente amei, os personagens são bem estruturados e o enredo é repleto de mistérios e segredos, o que me fez ficar presa na leitura. Quero muito ler os outros livros dele e ver se gosto também. Amei o post.
    BJos, Bya! 💋

    ResponderExcluir

Regras para os Comentários:

- Seja educado e não use palavras de baixo calão;
- Comentários hostis e racistas serão excluídos;
- Deixe o link do seu blog, pois retribuo todos os comentários;