23/02/2018

[Critica] The Crown: A Alteza Real da Netflix


Boa Noite!! Se está procurando alguma série do Netflix para assistir nesse fim de semana nosso colunista Arian trouxe uma critica bem bacana que talvez te ajude a escolher uma <3 

The Crown: A Alteza Real da Netflix
Senhoras e senhores, por favor, em pé para sua majestade, a Rainha, e sua alteza real, o Duque de Edimburgo. Mas também à irmã da rainha e seus incessantes dramas românticos, ao tio da Rainha, Duque de Windsor e suas escolhas conturbadas, aos três primeiros-ministros da Inglaterra e seus hábitos, aos amigos do Duque, aos secretários da Rainha, e a toda corte de Windsor, afinal The Crown é sobre a Coroa Inglesa, e não sobre Elizabeth II.


O que tinha tudo para dar errado, e se tornar apenas mais um documentário seriado sobre a cativante vida da família real britânica, tornou-se, nas mãos do experiente roteirista Peter Morgan, um dos mais eletrizantes dramas políticos da atualidade, bem como o drama histórico mais caro já produzido, encomendado pela Netflix.

Eletrizante drama político não é um termo que se lê todos os dias, não nos dias das produções multimilionárias dos estúdios Marvel, ou das instigantes ficções cujo protagonista quebra a quarta parede e lhe convence a assistir, do começo ao fim, com cada frase, como House of Cards em suas versões inglesa e estado-unidense. Já drama histórico mais caro já produzido é facilmente compreensível, afinal precisaram tornar interessante uma história que basta abrir a, nada confiável, Wikipedia, para se ter contato.

A casa real Saxe-Coburgo-Gota tem seu nome trocado por George V, avô da rainha Elizabeth II, pela melhor aceitação do nome Windsor na época da primeira guerra mundial, do que o nome germânico de sua família. Com a morte do Rei Jorge V, seu filho mais velho, Eduardo VIII, assume o trono inglês, por menos de um ano, e antes de ser coroado, renuncia o título e o cargo em nome de seu amor proibido pela severa etiqueta real, deixando o Reino Unido para seu irmão mais novo, George VI, pai de Elizabeth II, e é com este nome que The Crown começa.


Muitos nomes, muitos títulos e pronomes de tratamento, porém, infelizmente à memória nominal, é assim que a história é contada; basta que lembremos de nossas aulas de história do Brasil, vendo presidente por presidente e suas políticas, ou das aulas de história da Europa até a Primeira Guerra Mundial, quando vimos rei por rei, imperador por imperador, dinastia contra dinastia: Plantagenetas e Capetos disputaram por séculos, se procriaram por séculos até que você reprovou na prova do colégio por ter confundido os nomes em Latim e dormiu nas aulas para recuperação. Entretanto você deve ter aprendido o viés principal, o fundamento que a história é contada pelos vencedores, mesmo que as disputas não sejam tão emocionantes num livro texto.

The Crown não será muito diferente se você colocar na mente que é um resumo histórico, e irá, muito provavelmente, dormir nos vinte primeiros minutos da série, se sua praia são comédias românticas ou dramas onde a trama se desenrola muito rapidamente, e se sua praia for série de ação e suspense, você nem irá dar play em The Crown, porque, adianto-lhe, que a maior adrenalina é ver o Duque de Edimburgo acalmando um elefante.

Enfim, você superou o preconceito, decidiu dar uma lida antes na Wikipedia para se familiarizar com os nomes, e abriu da série. Como dito antes, The Crown começa com o rei George VI, mas começa com ele vomitando sangue na latrina, e se você achou que ele ia morrer, acertou, afinal receber spoiler dessa série é tão insignificante quanto alguém lhe dizer que Jesus Cristo é crucificado em "A paixão de Cristo". Ambas as produções são excelentes, mas ninguém assiste pelo final, quem vê quer descobrir o meio.


Você ainda está olhando ao rosto masculino de George VI, interpretado por Jared Harris, e chega a conclusão que ambos, figura histórica e ator, são muito parecidos. Você assiste mais um pouco e decide fechar o seriado só para olhar as fotos oficiais da família real, segurando o queixo com o quão parecidos ficaram os intérpretes. Essa é a segunda melhor coisa em The Crown: a ambientação.

Com ambientação eu estendo ao figurino, a escolha dos carros da época, da carruagem que leva a rainha a seu casamento, com os navios, aviões, personalidades como JFK e Billy Grahan, mas especialmente com a similaridade física das protagonistas.

Rainha Elizabeth II é vivida, nas duas primeiras temporadas feitas até o momento, pela talentosíssima Claire Foy, que interpreta a primeira década de reinado com tamanha naturalidade que, somada à similaridade física, ficamos em dúvida se não rejuvenesceram a Rainha, com seus 91 anos, pois em cada frase, em cada risada de Foy, notamos o timbre cordial e espirituoso de Elizabeth II, seja nas horas de potência, ou nas horas em que Foy consegue reproduzir o desejo da Rainha de ser apenas mais outra nobre, em especial nos diálogos com seu tio, o Duque de Windsor, vivido pelo elegante Alex Jennings.

A história de Elizabeth é facilmente compreensível, afinal, entendida a abdicação de seu Tio, sabemos que ela foi educada para ser a soberana, a líder da igreja Anglicana, a chefe de estado vitalícia, e assim sendo, cada um de seus títulos trará tramas, desde sua educação afunilada à política, à sua constante vida sob holofotes, e flashes da década de cinquenta que dissolviam-se a cada foto.


É, então, a história de seu esposo, Duque de Edimburgo, que trará um pouquinho de dor de cabeça, mas também risadas, visto que Matt Smith, conhecido por interpretar um dos Doutores de Doctor Who, traz, não só o senso de humor e espontaneidade do longevo Philip da Grécia, como também traz seus conflitos, sua personalidade forte e um pouco conturbada, às câmeras de Andrew Eaton, o produtor de The Crown.

Nos primeiros minutos de The Crown vemos George VI investindo Philip Moutbatten com as honrarias prévias ao casamento. Nos episódios finais da segunda temporada entendemos melhor o passado, os anseios, e sentimentos de Philip, mas são nas frases lançadas ao ar, pela irmã de Elizabeth II, princesa Margareth, ou pelos companheiros de Philip, que começamos a compreender a linha de raciocínio da personagem que acusaram de roubar muito do brilho de Elizabeth II. Matt Smith coloca lenha na fogueira da Coroa, do mesmo modo que Philip da Grécia fez ao entrar à família Windsor.

Vi uma vez, numa entrevista, o Príncipe Philip fazer uma de suas muitas piadas, no qual ele citava uma pergunta de um garoto: Por que construíram o castelo tão perto do aeroporto? Pronto, podem ri aí do outro lado da tela, e então assimilar que tom arrogante do Príncipe -título recebido de sua esposa, momento também retratado na série - casa, perfeitamente, com sua pessoa, e sua pessoa casa perfeitamente com a coroa, com suas tradições e histórias. Philip é Príncipe da Grécia e Dinamarca, filho de um rei deposto, conhecido por escândalos e sua indelicadeza. É, portanto, a própria existência de Philip, e de sua união -verdadeiramente romântica- com Claire Foy, digo, Elizabeth II, que alavanca a coroa, ou melhor, The Crown.


É no encontro de personalidades, da troca de poderes e perda da inocência que The Crown constrói sua fundação, mas uma hora o fogo apaga. A rainha reina, Churchill e seus sucessores governam. A rainha aprende, seus secretários ensinam, porém ela pouco vive. Seus primeiros filhos pouco aparecem, pouco são mencionados, e é nessa imersão à cultura real que nos deparamos com o choque de modernidade, um choque de pernas bonitas e rosto fotogênico, de personalidade marcante e palavras sinceras. Um choque chamado Princesa Margareth, irmã da Rainha Elisabeth, vivida por Vanessa Kirby, conhecida por peças de teatro e obras de cinema quase adolescentes.

Vanessa Kirby interpreta tão solenemente Margareth que a simpatia pela personagem é inevitável, torcemos por ela e seu romance com Peter Towsend, como os cidadãos ingleses torceram uma vez, vibramos pelo seu casamento com o fotógrafo libertino, depois que já choramos com ela, rimos e fomos asfixiados por tanto cigarro. Talvez a Princesa Margareth tenha sido a pessoa mais amada da coroa, mas não a mais lembrada.

É Elizabeth II por quem torcemos, é por ela que prestamos atenção em seus sorrisos, em seus desconfortáveis vestidos e cerimônias. Aprendemos junto a ela a conviver com o novo, a superar desafios. The Crown não é Elizabeth II, mas em meio a tantos personagens, é a Rainha que levamos guardada na memória, e por ainda ser tão presente, mantemos viva.


Ao assistir The Crown é fácil compreender a paixão que os ingleses têm por sua monarquia, que mesmo imersa em escândalos, escolhas precipitadas, e turbulências históricas que, literalmente, rendem uma disciplina nas faculdades de História, sempre ousaram superar, vencer, e, principalmente, não esconder. Assim como a coroa Windsor, The Crown teve sucesso pela veracidade.

Em The Crown não vemos exageros, vemos interpretação, não vemos idealização, vemos o quão humanos são os familiares da Rainha, o quão esquecíveis ou memoráveis, o quão poderosos ou marionetes, foram e serão os que carregarem os impronunciáveis títulos. The Crown trouxe um novo modo de assistir dramas, mesmo que históricos. A Netflix novamente acertou numa produção europeia, trazendo para quem gosta de história o jogo político, e para quem gosta de política a fascinação histórica.

Impossível não querer fazer reverência às duas primeiras temporadas, entretanto mais quatro já foram confirmadas, contando as décadas de reinado, as bodas preciosas de casamento, os escândalos, as evoluções políticas e estratégicas, as formas de sobrevivência da coroa.

Basta agora esperar que a Netflix mantenha o mesmo padrão real nas demais temporadas, pois com a necessidade de trocar os atores devido ao claro envelhecimento das personagens, os espectadores não esperarão nada menos do que um trabalho tão bom quanto o elenco conseguiu trazer. A fotografia que evolui com o passar dos episódios certamente será mantida, como também o ritmo que acompanha a disposição das personagens, como num livro em primeira pessoa.


Se você ainda não viu, veja. The Crown narra a história da família que sobreviveu ao destino as monarquias, conta as tramas de quem faz a história até hoje, e nos mostra o que todos já sabemos: por mais simbólico que seja a coroa inglesa, por mais que os ministros de fato governem, não há um ser humano que nunca desejou ser Windsor, independentemente do tamanho do fardo que trás o nome.

Deixo aqui, após o texto principal, uma poesia que escrevi ao terminar de ver The Crown, quem sabe lhe inspira a perder o fôlego com os diálogos reais, ou no mínimo, a rir e chorar com um drama bem feito.

Narrow Nest
Should I be making millions
Or bathing in the gore?
Royal one or lion's?
With words I open sore.
No king or queen's words
Merely from a dreamer
Remand between worlds
Of candor and the steamer.
And the sun divides it
The dusk recesses stamp
The night shearing a slit
Wackying as a scamp.
But in the titian dawn
I see a sterling purport
Not as the thin pawn
Nor as lofty in court.
But as the lone boy
Gashing by wind's spur
Words that ensues joy.
Learning the light or slur.
To lions and kings I howl
Sachsen, Wiettin or Windsor
Stifle I the rampant growl
With my soothe sore.
A.D.Santos.

14 comentários:

  1. Olá!

    Nossa, já faz algum tempo que venho namorando essa série na Netflix sem ter certeza se a vejo ou não. A cada parágrafo dessa resenha da série eu tenho mais certeza que preciso assistir e pra ontem! Parece ser muito interessante e muito gostosa de se ver para quem adora história E a família real inglesa (mesmo sabendo que há muito podre kk). Adorei a dica e sem dúvidas verei essa série.

    Abraços

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  2. Eu vi na Netfliz, mas não havia me interessado. Agora que li a sua crítica eu vou correndo para adicionar à minha lista e ver depois com calma. Adorei conhecer um pouco mais e espero gostar quando for assistir também.

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  3. Olá!
    Essa série parece ser muito linda, sempre vejo as fotos e leio várias resenhas sobre ela e fico babando nos figurinos e nas imagens dos cenários. Ainda não vou poder assisti-la esse mês por falta de tempo, mas está na minha lista.

    Beijos e abraços Vivi
    http://vickyalmeida.blogspot.com.br/

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  4. Eu amei as duas primeiras temporadas de The Crown, assisti em um dia só cada uma. E também estou bem animada para a terceira com a Olivia Colman como a Rainha, ela é outra atriz sensancional que com certeza vai interpretar com maestria.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  5. Oiii

    É o tipo de série que agrada bastante quem curte o gênero, eu tentie assistir mas acho que não era o momento ou simplesmente não é uma história que me atrai, mas acabei deixando. A ambientação é impressionante, eu amei, achei esse ponto impecável.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Eu adoro esse seu estilo de post onde voce joga a verdade na cara do leitor e ainda assim deixa ele apaixonado! Eu tentei ver essa série uma vez e odiei porque realmente é MUITO parada, mas esse lance de entender a paixão dos ingleses pela monarquia me conquistou e vou dar mais uma chance, acho que vale a pena.

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  7. Olá!

    Não curto séries de época e afins, porque são muito paradas e mais do mesmo, por mais que se trate de uma história real, sem falar que a Claire acho tão fraquinha como atriz...

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  8. Olá, tudo bem?
    Eu adoro séries que retratam períodos históricos, eu ainda não assisti "Crown", mas tenho vontade de acompanhar e pretendo fazer isso! Gostei da sua publicação!
    Abraço!

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  9. Eu sou apaixonada pela fotografia dessa série.
    Está certo que fiquei com raiva de alguns personagens na segunda temporada hauhauhauha, mas amei mesmo assim e não vejo a hora de ter a continuação


    Sai da Minha Lente

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  10. Oi Arian! Tudo bem?
    Acho que nunca vi uma crítica assim na minha vida. Pelo menos não acerca de uma série do Netflix. Se bem que no caso de "The Crown", é realmente uma série a ser notada, ainda mais quando ela já ganhou vários prêmios especializados e sempre está muito bem cotada entre o público e a crítica.
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://galaxiadeideias.com
    http://osvampirosportenhos.blogspot.com

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  11. Olá!
    Tinha curiosidade em saber mais dessa série. Já tinha visto pelo catálogo e me chamado atenção. Adoro séries que abordam épocas, governos, principados e tudo que envolve realeza. Gostei da premissa e vou adicionar aos preferidos pra assistir aos poucos.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  12. Oi, tudo bem?
    Essa série é maravilhosa, estou tentando assistir, mas o tempo é curto! Sempre que posso dou uma espiada na NetFlix! Adorei o post!

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  13. Oiee tudo bem?
    Só leio e ouço elogios sobre a série e algumas das minhas melhores amigas já me recomendaram, então sem dúvidas ela está na minha lista para ser assistida num outro momento.
    Adorei a postagem bem esclarecedora.
    Beijos

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  14. Há um tempo, eu assisti o primeiro ep dela e não curti muito, então, acabei assistindo Reign, que é sobre a rainha da Escócia (TE INDICO). Mas, como já estou terminando Reign e amando essa história toda de monarquia, vou dar mais uma chance para the crown <3

    ótima crítica.

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